'Impossível não se colocar no lugar do outro com tanto sofrimento', diz socorrista filmada acalmando pais que perderam filha no Paraná
Socorristas acalmam pais que perderam filha de 7 anos em acidente de carro no Paraná Camila Canolla e Leonardo Zangari, socorristas do Serviço de Atendimento Mó...
Socorristas acalmam pais que perderam filha de 7 anos em acidente de carro no Paraná
Camila Canolla e Leonardo Zangari, socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) há cerca de 10 anos, foram filmados acolhendo os pais de uma menina de sete anos que morreu em um acidente de carro em Marialva, no Norte do Paraná. A morte da menina foi confirmada após diversas tentativas de reanimação.
Nas imagens da ocorrência, gravadas no domingo (30), os profissionais aparecem sentados, abraçando e acalmando os pais da vítima. Veja vídeo acima.
Segundo eles, a decisão de confortar os familiares foi natural e com o objetivo de tentar amenizar a dor da família.
"Eu acabei abordando a mãe por ser mulher mesmo, até por essa empatia de mãe, e o Leonardo abordou o pai, mas foi algo simultâneo. Por mais que sejamos uma equipe, neste momento, nós não tínhamos combinado [...] É impossível não se colocar no lugar do outro com tanto sofrimento", explicou Camila.
Para o atendimento ao público, a corporação dos socorristas oferece um preparo técnico, mas, conforme os profissionais, a maturidade para tratar as emoções dos pacientes é adquirida ao longo das experiências do trabalho. "Não tem como falar que você é treinado para empatia, é uma coisa que vem de você", diz Camilla.
Socorristas tentaram acalmar pais após acindente que matou filha de 7 anos.
Plantão Maringá
A pós-ocorrência
No momento do atendimento, os profissionais relatam que lidam com a situação "no automático", seguindo os procedimentos treinados. Mas, após a ocorrência, é difícil não se emocionar.
"A gente acaba ligando o automático naquele momento e fazemos o melhor para tentar salvar aquela vida, independentemente se é criança ou se é adulto. E o pós, é um choque. Não tem como a gente não se emocionar. Porque você lembra de toda aquela situação, lembra daqueles pais, daquela família que está passando por isso", conta Leonardo.
Os socorristas contam que se assustaram com a repercussão do caso, já que o acolhimento às vítimas é um procedimento normal da profissão. "Isso que aconteceu era para ser o comum. [...] Talvez hoje as pessoas se esfriaram e não tenham mais tanto essa empatia", diz Camila.
Leonardo e Camila atuam no Samu há cerca de 10 anos.
Arquivo pessoal
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Relembre acidente em Marialva
Carro capotou depois de derrapar em pedras de estrada rural.
Ronaldo Vanzo/RPC Maringá
A RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, apurou que pai e filha estavam no carro no momento do acidente. Eles passavam por uma estrada de terra, na área rural de Marialva. O homem relatou que o veículo derrapou, capotou e os dois foram ejetados.
O primeiro atendimento que a menina recebeu foi de um enfermeiro que passava pelo local. Em seguida, o Samu chegou ao endereço, que é de difícil acesso, com helicóptero e ambulância.
A Polícia Militar (PM-PR) também registrou a ocorrência e realizou teste do bafômetro no pai, que não identificou consumo de bebida alcoólica.
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